Documentos sigilosos do Ministério da Justiça obtidos pela Folha
desmentem a versão do Itamaraty de que o Brasil não estava preocupado
com ações de terrorismo por ocasião da realização dos Jogos
Pan-Americanos de 2007, organizados pelo Rio.
Os papéis agora descobertos mostram que o governo se equipou contra
terroristas, diferentemente da versão oficial que fez circular.
"Organizações terroristas, que se utilizam de eventos dessa natureza
para chamar a atenção da opinião pública internacional podem se
aproveitar desse espaço para promover a instabilidade do evento", diz o
documento.
A atitude do governo brasileiro com relação à Copa do Mundo de 2014 e
aos Jogos Olímpicos de 2016, que também serão realizados no país, é
idêntica, como confirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim.
Na terça-feira, a Folha revelou
que, segundo telegrama da embaixada americana em Brasília, integrantes
do Itamaraty admitiram a possibilidade de um ataque terrorista durante a
Olimpíada. Os papéis foram reunidos pelo site WikiLeaks.
Indagado sobre os documentos confidenciais, Amorim confirmou a
preocupação séria com ataques. "Sim, estamos muito preocupados com o
terrorismo", disse.
Os documentos do Ministério da Justiça sobre o esquema de segurança do
Pan do Rio, com timbre "confidencial", provam que o governo tentou
camuflar essa preocupação há três anos.
Um dos tópicos trata especificamente da delegação dos EUA. O Pan, diz o
papel, desperta "possível interesses dos países conhecidos como hostis
aos EUA, podendo haver atentados durante a realização dos Jogos".
A preocupação não ficou só no papel. O Ministério da Justiça gastou R$
8,1 milhões no Pan somente com o subsistema de inteligência voltado ao
monitoramento de possíveis ataques terroristas.
O item "banco de dados grupos terroristas/eventos internacionais" custou
R$ 894 mil. Foi contratado ainda um sistema de interceptação de
mensagens --pela internet e por telefone-- para identificar palavras que
pudessem estar associadas a possíveis atentados.
As centenas de páginas de documentos integram o processo de contratação
do Consórcio Integração Pan, sem licitação, por R$ 161 milhões.
O consórcio, liderado pela Motorola, incluía a Digitro Tecnologia, dona
do Guardião, sistema de grampos telefônicos usados no país.
Também estava no consórcio a ISDS (International Security & Defense
Systems), empresa israelense cujo portfólio destaca mecanismos de
combate ao terror.

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