O ministro da Defesa, Nelson Jobim, minimizou nesta sexta-feira (3)
em Madri a importância dos telegramas divulgados no começo da semana
pelo site WikiLeaks --e antecipados pela Folha. Jobim negou que essas revelações possam prejudicar a relação entre Brasil e Estados Unidos.
"São opiniões de embaixadores. São manifestações pessoais do embaixador
(dos EUA) daquela época e que fez afirmações em meu nome, somente isso",
declarou Jobim.
O ministro se pronunciou sobre o assunto após assinar um acordo com a
ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, que prevê um aumento da
cooperação militar bilateral.
Questionado sobre a possibilidade das mensagens diplomáticas vazadas
prejudicarem as relações Brasil-EUA, Jobim respondeu: "Não, não acho. A
relação transcende as pequenas questões que foram divulgadas em relação
ao Brasil".
FARC
Um dos documentos foi enviado em novembro de 2009 da Embaixada dos EUA em Brasília e revela conversas entre uma funcionária americana, Lisa Kubiske, e o ministro da Defesa.
"Falando de temas de segurança regional", diz um desses documentos,
"Jobim quase reconheceu a presença da guerrilha das Forças
Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela e deu sugestões para
aumentar a segurança na fronteira entre Colômbia e Equador".
No entanto, Jobim afirma no documento que reconhecer publicamente a
presença das Farc na Venezuela impediria um eventual trabalho de
mediação do Governo brasileiro entre Bogotá e Caracas.
Perguntado nesta sexta-feira se confirmava essa informação, o titular da
Defesa respondeu: "Não. Eu disse ao embaixador (dos EUA) que se as Farc
vierem ao Brasil, elas serão recebidas a bala. E que havia a
necessidade de acabar com as Farc".
Jobim ressaltou que as Farc "não estão no Brasil. No Brasil entram brasileiros e aqueles que nós desejamos que entrem. Só isso".
Em outro documento do WikiLeaks, o ministro revela que o presidente da
Bolívia, Evo Morales, tinha um "grave tumor" no nariz no início de 2009 e
foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser
operado em um hospital de São Paulo.
A mensagem, de 22 de janeiro de 2009, relata uma conversa entre Jobim e o
então embaixador americano no Brasil, Clifford M. Sobel, após um
encontro em La Paz entre Morales e Lula.
Sobre esse assunto, Jobim admitiu nesta sexta-feira que "Morales tinha
um problema no nariz", mas afirmou que o telegrama "não fazia sentido" e
que suas palavras foram exageradas.
No domingo passado, o WikiLeaks começou a publicação em massa de mais de
250 mil documentos diplomáticos americanos aos quais teve acesso,
muitos deles com revelações embaraçosas para Washington e seus aliados.
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