Um dos hackers mais procurados do mundo se tornou secretamente
informante do FBI no ano passado, fornecendo informações que levaram na
terça-feira ao indiciamento de cinco outros supostos líderes do grupo
internacional de ativistas digitais Anonymous.
Num duro golpe para o grupo, que já atacou sites empresariais e
governamentais em vários países, autoridades dos EUA revelaram que o
conhecido hacker "Sabu" é na verdade Hector Xavier Monsegur, e que ele
foi detido em junho de 2011 em um pequeno apartamento de Manhattan.
Numa audiência judicial secreta em 15 de agosto, Monsegur, de 28 anos,
declarou-se culpado por 12 crimes informáticos e prometeu cooperar com
as autoridades em troca de leniência, segundo transcrição divulgada na
terça-feira.
O FBI e promotores dos EUA anunciaram na terça-feira acusações contra
cinco outros hackers já detidos, incluindo dois na Grã-Bretanha e dois
na Irlanda. O quinto é Jeremy Hammond, vulgo "Anarchaos", que foi preso
na segunda-feira em Chicago sob a acusação de violar o site da
consultoria global de inteligência Strafor, em dezembro.
Os seis hackers envolvidos eram membros destacados do grupo LulzSec, uma espécie de facção do Anonymous.
"Esses criminosos cibernéticos se afiliaram ao Anonymous de diferentes
maneiras. Eles não são o Anonymous hoje, eles foram identificados e
indiciados", disse uma autoridade que pediu para não ser identificada,
já que a investigação continua em andamento.
Especialistas em segurança digital dizem que as prisões foram um duro
golpe para o Anonymous. "Sabu era visto como um líder ... Agora que o
Anonymous percebe que ele era um alcaguete e estava trabalhando por
conta própria para a Justiça Federal, eles devem estar pensando: 'Se não
podemos confiar no Sabu, em quem podemos confiar?'", disse Mikko
Hypponen, diretor de pesquisas da empresa finlandesa de segurança
digital F-Secure.
"Provavelmente não será o fim do Anonymous, mas vai demorar um tempo
para eles se recuperarem, especialmente da paranoia", disse Hypponen.
Outros especialistas consideraram que é cedo para prever o fim dos ataques digitais do grupo.
"A gente sempre se preocupa nessas coisas de que eles tenham apanhado os
caras da beirada do grupo", disse Stewart Baker, ex-funcionário
graduado do Departamento de Segurança Doméstica e hoje especialista em
segurança digital no escritório de advocacia Steptoe e Johnson.
Nenhum comentário:
Postar um comentário