O vírus Stuxnet, que invadiu instalações nucleares no Irã, representa
uma ameaça para indústrias chave em todo o mundo, de usinas de
tratamento de água e geração de energia a fabricantes de automóveis,
disseram nesta quarta-feira especialistas em cibersegurança.
Sean McGurk, diretor interino do Centro de Cibersegurança e Comunicações
do Departamento de Segurança Interior, descreveu o Stuxnet em
testemunho perante o comitê do Senado como um vírus que "muda as regras
do jogo".
Detectado em julho, o Stuxnet "mudou significativamente o panorama dos
ciberataques dirigidos", disse McGurk ao Comitê de Segurança Interna do
Senado.
"Para nós, para usar um termo conhecido, muda as regras do jogo",
resumiu.
O Stuxnet infecta um sistema computadorizado de controle, desenvolvido
pela gigante industrial alemã Siemens, muito utilizado para administrar
usinas de abastecimento de água, plataformas de petróleo e centrais
elétricas.
A maioria das infecções com o Stuxnet foi descoberta no Irã, o que
aumenta as especulações sobre a intenção de sabotar suas instalações
nucleares, especialmente a usina de energia atômica construída pela
Rússia em Bushehr (sul).
A empresa de segurança informática Symantec anunciou na semana passada
que o Stuxnet pode ter sido projetado especificamente para interromper
os motores das centrífugas usadas para enriquecer urânio.
Dean Turner, diretor da rede mundial de inteligência da Symantec, disse
ao painel do Senado que embora 60% das infecções detectadas tenham
ocorrido no Irã, o Stuxnet deve ser visto "como um chamado de atenção
para os sistemas chave de infraestrutura em todo o mundo".
"Esta é a primeira ameaça publicamente conhecida que ataca sistemas de
controle industrial e dá aos piratas informáticos controle vital sobre
infraestruturas chave como usinas de energia, represas e instalações
químicas", disse Turner.
O vírus é tão complexo que só "alguns poucos atacantes seletos" poderiam
desenvolver uma ameaça similar, mas de qualquer forma, põe em destaque
que "os ataques diretos para controlar infraestruturas chave são
possíveis e não necessariamente ficção de romances de espionagem",
disse.
Em setembro passado, o jornal "The New York Times" reportou que o código
do Stuxnet inclui uma referência ao Livro de Ester, uma história do
Velho Testamento, na qual os judeus descobrem uma trama persa para
destruí-los.
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