O Reino Unido está dedicando mais empenho em desenvolver um arsenal para
uma guerra cibernética do que em outras áreas de atividade militar,
afirmou o general David Richards, chefe das forças armadas, na
segunda-feira (22).
"Trata-se genuinamente de uma grande prioridade para nós", afirmou.
"Em companhia de outros países com ideias parecidas na Organização para o
Tratado do Atlântico Norte (Otan), estamos expandindo nossa compreensão
e arsenal nessa área de forma mais ativa do que em qualquer outra
área", disse ele no primeiro discurso público desde que assumiu a chefia
do Estado-maior de defesa britânico.
No mês passado, o Reino Unido anunciou que investiria 650 milhões de
libras (US$ 1 bilhão) a mais em segurança da computação, depois que a
nova Estratégia Nacional de Segurança destacou a área como uma das
principais ameaças ao país.
A questão ganhou destaque em setembro, quando especialistas em segurança
sugeriram que o worm Stuxnet, que ataca um sistema de controle
industrial amplamente utilizado, poderia ter sido criado por um país
para atacar as instalações nucleares do Irã.
No mês passado, o comandante da agência de espionagem de comunicações
britânica também alertou que países já estavam utilizando técnicas
cibernéticas para realizar ataques a outras nações.
"Muitas vezes digo às pessoas que, embora seja possível desativar a
infraestrutura de um país por meio de pesados bombardeios, fazê-lo por
meio de um ataque cibernético não requereria tempo algum", disse
Richards. "Trata-se de uma área de imenso risco."
Ele também declarou que o cronograma da Otan para transferir a
responsabilidade pela segurança do Afeganistão às forças daquele país,
em 2014, e encerrar suas operações de combate um ano depois era "muito
realizável".
"Não foi uma data escolhida ao acaso", disse, acrescentando que o mulá
Mohammad Omar, líder do Taleban afegão, não havia gostado da mensagem de
que a retirada não aconteceria mais cedo.
"Quatro anos, dadas as perdas que eles estão sofrendo e o crescimento
firme da força nacional de segurança afegã, não é prazo que os faça
felizes", disse o general. "E podemos manter otimismo cauteloso quanto a
cumprir o prazo."
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