No Centro de Código Aberto da agência, uma equipe conhecida carinhosamente por "bibliotecários vingadores" olha para o Facebook, jornais, canais de notícias na TV, estações locais de rádio e salas de bate-papo --tudo que qualquer pessoa possa acessar e contribuir de forma aberta.
Do árabe ao mandarim, de tuítes nervosos a um blog profundo, os analistas reúnem as informações, muitas vezes em sua língua nativa. Eles cruzam as referências com os jornais locais ou com uma ligação telefônica clandestina interceptada. A partir daí, eles constroem uma imagem entregue aos nomes mais importantes da Casa Branca, oferecendo dados em tempo real sobre, por exemplo, os ânimos em uma região após o ataque do exército que matou Osama bin Laden, ou talvez até prever qual nação do Oriente Médio parece mais propensa a uma revolta popular.
Sim, eles já sabiam que a revolta no Egito iria acontecer; eles só não sabiam exatamente quando a revolução começaria, diz o diretor do centro, Doug Naquin.
O centro já previu que "as mídias sociais em locais como o Egito poderiam ser um fator decisivo de mudança e uma ameaça aos regimes locais", ele relata em entrevista recente para a Associated Press.
O local foi criado como resposta às recomendações da Comissão do 9/11, com foco inicial em contra-ataque ao terrorismo. Mas as centenas de analistas --o número exato não é revelado-- monitoram uma gama mais ampla, desde o acesso à internet na China até os ânimos nas ruas do Paquistão.
Os analistas mais bem sucedidos, diz Naquin, são semelhantes à heroína do livro "Os Homens que não Amavam as Mulheres", uma hacker evasiva, irreverente e que "sabe como encontrar coisas que as pessoas não sabem que existe".
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| Estudante de arte da Universidade de Helwan, no Egito, pinta logo do Facebook |
As análises do centro invariavelmente acabam nas mãos da equipe de inteligência do presidente americano Barack Obama, quase todos os dias. Após bin Laden ser morto no Paquistão em maio, a CIA monitorou o Twitter para dar um registro mais preciso da opinião pública mundial para a Casa Branca.
Poucas semanas atrás, quando Obama fez um discurso sobre os problemas no Oriente Médio, a resposta do Twitter nas 24 horas seguintes veio de forma negativa da Turquia, Egito, Iêmen, Argélia, do Golfo Persa e de Israel, com usuários de língua árabe e turca acusando o presidente de favorecer Israel, enquanto os tuítes em hebreu denunciavam o discurso como pró-árabe.
Nos dias após o discurso, os principais conglomerados de mídia chegaram a mesma conclusão, assim como analistas da inteligência americana, baseado em dados coletados na região.
"Fazemos o máximo para ressaltar que podemos estar colhendo uma representação apenas da elite urbana", diz Naquin, mostrando saber que apenas uma pequena fatia da população em grandes áreas monitoradas tem acesso à internet. Mas ele diz que o acesso às mídias sociais por meio do celular tem aumentado em locais como a Africa, o que indica que uma "porção bem maior da população do que você imagina está colocando sua voz para fora".

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