Empreender nem sempre tem como objetivo único o enriquecimento. Algumas
das pessoas que se consagram a essa atividade se interessam
primordialmente pelos benefícios econômicos, mas número crescente de
empreendedores desejam que suas empresas faça sentido, mesmo que o
propósito seja o crescimento. Suas companhias podem ser uma fonte de
inovações por, além do alcance tecnológico, terem também repercussão
social. É esse o tipo de empreitada que o TandemFund.org, de Kuala
Lumpur, Malásia, tenta ajudar.
"Nós investimos em empresas sociais que aderem a uma causa -a redução da
pobreza, por exemplo-, mas ao mesmo tempo dispõem de uma maneira de
gerar faturamento", me explicou Kal Joffres, o diretor da organização.
"A missão das empresas deve ser social, e seu modelo de negócios
derivado do setor privado", explicou. "Que obtenham ou não lucros,
dependerá do mercado".
Trata-se de uma pequena revolução para a Malásia, país no qual a
filantropia muitas vezes se limita a doar dinheiro a orfanatos e
visitá-los para uma foto uma vez por ano. Financiado por uma fundação
ligada a um banco, o Tandem Fund é mais ambicioso. Investe nas áreas da
saúde, habitação, moradia e distribuição aos setores mais necessitados.
"Contentamo-nos com retornos inferiores à rentabilidade comercial, para
os investimentos, o que chamamos de 'capital paciente'", acrescenta
Joffres. Assim, o fundo se baseia em modelos menos conhecidos como a
"dívida de risco", empréstimos para investimentos de capital em empresas
iniciantes. Também pratica o conceito islâmico do compartilhamento de
benefícios.
Entre as empresas que o fundo auxilia está a SOLS 24/7, que ensina
inglês a jovens asiáticos desfavorecidos, cobrando as aulas apenas
daqueles que vivem em países ricos como o Japão; uma companhia que
recicla computadores antes de oferecê-los gratuitamente a organizações
sociais; e a WeDesignChange.com, cujos designers trabalham
voluntariamente para ajudar artesãos rurais a "elevar o valor de seus
produtos sem aumentar os custos de produção".
Mas o dinheiro não resolve tudo e o Tandem Fund criou a Tandemic.com,
que opera como consultora de empresas sociais. Um de seus modos de ação
favoritos, adaptado de ideias praticadas em outros sites, consiste em
realizar reuniões intensivas nos finais de semana. O Hack.Weekend.my se
dedica a desenvolver programas, por exemplo um aplicativo para
compartilhar carros entre amigos, dirigido a pessoas que não gostam de
pegar carona com desconhecidos.
Os MakeWeekends estão reservados à primeira tentativa de materializar
ideias mais ou menos elaboradas, audazes, loucas. "O final de semana
permite que deixemos o trabalho de lado", disse Joffres. "Os jovens vêm
para criar rapidamente protótipos de uma ideia, seja qual for. Nós nos
ocupamos do modelo de negócios. Assim que o protótipo está pronto, eles
podem decidir continuar o projeto por sua conta".
Com a ajuda do governo, a Tandemic colabora com o Innobridge, um projeto
malásio que permite que estudantes se familiarizem com problemas de
empresas. Essas últimas submetem casos por meio de uma plataforma online
e os estudantes têm prazo de duas semanas para resolvê-los. Há
concursos e recompensas monetárias para aqueles que encontram soluções
úteis. As universidades de onde vierem as melhores respostas receberão
prêmio do primeiro-ministro no final do ano.
É uma maneira de estabelecer pontos com o setor privado e fomentar o
espírito empresarial. "É bom para a imagem das empresas e permitem que
entrem em contato com futuros contratados", acrescenta Joffres. "E é
excelente para que os estudantes percebam que são capazes de resolver um
problema do mundo real e ganhar dinheiro. Isso lhes propicia grande
confiança em si mesmos".
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