A Intel está apostando em tecnologia de reconhecimento facial para
publicidade dirigida e numa equipe de negociadores experientes para
convencer relutantes parceiros de mídia a aderirem a seu novo serviço de
TV virtual.
Até o momento, no entanto, implementar o serviço vem sendo um desafio,
porque a maior parte dos grandes grupos de mídia não está disposta a
permitir que a Intel desmonte pacotes de programação e licencie canais e
programas específicos a preço inferior ao pago pelos parceiros dessas
companhias no setor de TV paga.
A Intel, maior fabricante mundial de chips, manteve sigilo sobre a
estratégia para lançar um serviço enxuto de TV a cabo, mas terá de
assumir riscos para iniciar atividades em uma linha de negócios
completamente nova.
De acordo com cinco fontes que vêm negociando há meses com a Intel, a
empresa está enfatizando um decodificador que empregaria a tecnologia
dela para distinguir quem exatamente está assistindo a determinado
programa, o que poderia permitir publicidade direcionada.
O decodificador que a Intel vem propondo não identifica a pessoa
especificamente, mas pode oferecer dados como sexo e faixa etária e
assim ajudar a direcionar publicidade, afirmaram duas das fontes.
Os planos da Intel a colocam no meio da batalha do Vale do Silício pelo
controle das salas de estar. Empresas de grande porte, como Apple,
Amazon e Google, acreditam que a TV a cabo dos EUA esteja aberta a
mudanças por motivos que vão da mudança nos hábitos dos telespectadores
ao custo crescente da produção de programas.
A TV a cabo americana movimenta US$ 100 bilhões anuais e está sob o
domínio de grandes distribuidores --como Comcast e DirecTV-- e criadores
de conteúdo, como Disney e Time Warner.
Embora nenhuma dessas empresas tenha feito grandes avanços no mercado
até agora, a Intel acredita que conseguirá desenvolver um decodificador e
um serviço de assinatura de programação de maior qualidade para prover
conteúdo de TV aos telespectadores, mesmo que esse mercado seja novidade
para ela.
Um serviço de TV bem-sucedido e baseado na tecnologia da Intel seria um
grande passo para ampliar a presença de seu chip em aparelhos
eletrônicos domésticos.
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