A tela sensível ao toque dos mais modernos celulares parece obsoleta
diante dos resultados da pesquisa de um grupo formado por pesquisadores
da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade de Hinschu,
em Taiwan. O estudo mostrou como usuários podem discar números no
celular ao olhar para eles.
O princípio básico usado é que o cérebro das pessoas emite sinais
elétricos de diferentes frequências, dependendo do que a pessoa está
tentando fazer ou do seu estado cognitivo, explica Tzyy-Ping Jung, da
Universidade da Califórnia, um dos responsáveis pela pesquisa.
Esses sinais podem, então, ser captados e decodificados.
Os pesquisadores tiraram proveito de um tipo de atividade cerebral que é
uma resposta natural da pessoa a estímulos em frequências específicas.
"Por exemplo, quando você olha para uma luz piscando dez vezes por
segundo, o seu córtex visual exibe uma atividade rítmica na mesma
frequência."
Nos testes, uma tela de computador exibia ao usuário dez caixas,
trazendo os dígitos do telefone, e cada uma delas piscava em uma
frequência diferente. Assim, ao olhar para um dos números, o córtex
visual do usuário emitia sinais referentes a ele. Os sinais eram, em
seguida, captados por uma espécie de fita que envolvia a cabeça como um
todo. A fita amplificava e transmitia o sinal para um telefone, por meio
do Bluetooth, permitindo que a ligação fosse realizada.
BENEFÍCIOS
Os benefícios imediatos da tecnologia, segundo Jung, são vistos em
pessoas paralisadas ou que têm alguma deficiência física severa.
O grupo também pensa em expandir a pesquisa e criar um sistema que usa o
celular para fazer um monitoramento do cérebro. "Nossa pesquisa mostrou
que, em situações de fadiga ou sonolência, certas mudanças na atividade
cerebral são indicadores que podem ser confiáveis para retratar esses
estados. Estamos trabalhando em traduzir isso para um sistema que
monitora a fadiga com o uso do celular", conta o pesquisador.
O próximo passo, segundo Jung, é usar o sistema para controlar
televisões, equipamentos de vídeo e áudio e jogar videogames. "Mas nosso
objetivo é ainda maior. Acreditamos que essa tecnologia pode aumentar
nossas habilidades cognitivas."
A tecnologia ainda não está à venda. O grupo pretende aumentar a
eficácia da detecção de sonolência e ainda não fez planos para a
comercialização, diz o pesquisador.
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