A perspectiva de descobrir um novo Facebook, Groupon ou Twitter está
impulsionando a maior corrida de capital de risco por empresas de
internet iniciantes desde o primeiro boom do setor, que chegou ao ápice e
despencou mais de uma década atrás.
Nos primeiros quatro meses do ano, mais de US$ 5 bilhões em capital para
investimento em empresas novatas fluíram para companhias de todo o
mundo, de acordo com dados da Thomson Reuters Deals Intelligence.
Ainda que pequena se comparada aos anos do boom, a quantia coloca 2011
no caminho para se tornar o ano mais movimentado em termos de
investimento inicial desde 2000, quando mais de US$ 55 bilhões foram
canalizados para companhias de tecnologia nascentes.
O mais recente frenesi traz algumas das características da mania
passada: otimismo sobre empresas "conceituais" que ainda não lançaram
sites e uma intensa competição entre investidores interessados em fazer
apostas em áreas tidas como mais quentes, como o segmento de mídia
social, hoje definido por empresas como Facebook e LinkedIn.
Empresários como Clara Shih, presidente-executiva da Hearsay, uma
produtora de software especializado de San Francisco, desfrutam de mais
influência junto aos investidores do que no boom passado e acreditam ter
liberdade de escolher entre potenciais parceiros. Shih diz já ter
levantado US$ 3 milhões em capital, aproveitando ofertas que bateram à
sua porta.
"Para ser honesta, não estávamos pensando em aportes de capital, mas
isso meio que caiu no nosso colo agora, e por isso estamos abertos à
ideia", disse Shih em entrevista à Reuters Insider.
O comportamento de rebanho entre os investidores gerou rumores sobre a
formação de uma nova bolha da internet, especialmente agora que os
analistas estão encontrando valores de US$ 70 bilhões para o Facebook e
US$ 15 bilhões para o Groupon, nas estimativas usadas em transações
privadas de investimento.
"Ouvi muitos executivos de venture capital dizendo que não há bolha",
disse Dana Stalder, do grupo de investimentos Matrix Partners. "Mas
quando as avaliações de valor de mercado de uma mesma empresa, comandada
pela mesma equipe, dobram em 12 meses, a sensação para mim é de bolha",
disse.
Mas outras características do movimento atual o separam do boom que terminou em colapso dez anos atrás.
Os investidores de venture capital dizem que mais empresas iniciantes
atualmente são lucrativas ou têm um caminho claro de lucratividade com o
advento da computação em nuvem, que ajuda a reduzir dramaticamente
custos operacionais em relação à década passada.
Além disso, a publicidade on-line e o comércio eletrônico, na infância
dez anos atrás, amadureceram e assumiram formas aceitáveis e confiáveis
de receita.
Sem falar do interesse de abertura rápida de capital via oferta de
ações, que desacelerou em meio a uma série de novas regulamentações, e
do crescimento de fontes alternativas de financiamento que incentivam
adiamento de IPOs.
E um dos fatores mais distintos do atual boom é que a web se tornou global.
Nos três anos que marcaram o auge do boom passado, 1999 a 2001, a
indústria de venture capital injetou US$ 96,4 bilhões em empresas
iniciantes de internet, dos quais quase US$ 78 bilhões apenas nos
Estados Unidos, segundo dados da Thomson Reuters.
Enquanto isso, dos mais de US$ 5 bilhões em recursos de venture capital
investidos até agora neste ano, apenas US$ 1,4 bilhão foi
disponibilizado a empresas iniciantes dos EUA.
Apesar da tendência atual das empresas iniciantes de se manterem
privadas por mais tempo, a safra de IPOs segue cheia de companhias de
internet.
Até agora, em 2011, 16 empresas de web encaminharam pedidos de IPOs a
autoridades dos EUA, buscando levantar quase US$ 4,1 bilhões, segundo
dados da Thomson Reuters. Esse volume já supera valores totais de todos
os anos com exceção de 1999, quando 52 empresas fizeram pedidos para
levantar US$ 4,2 bilhões em IPOs.
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