A Iana, entidade que controla a distribuição de protocolos de internet
(IPs), entregou nesta quinta-feira os últimos blocos disponíveis de
endereços IPv4.
Com o fim do IPV4, que permite 4 bilhões de endereços, um novo protocolo
será adotado, o IPv6, que pode formar até 340 decilhões de combinações.
Cada dispositivo conectado à internet possui seu próprio endereço de IP,
número para que as informações encontrem seu caminho na rede. O
crescimento de equipamentos com acesso à Web no mercado exige maior
disponibilidade de combinações.
Em 31 de janeiro, dois blocos do IPv4 foram entregues para a região Ásia
e Pacífico, com distribuição igualitária dos blocos restantes para
todas as regiões, incluindo a da América Latina e Caribe, da qual o
Brasil faz parte.
Estima-se que o Brasil ainda distribua endereços ".br" do seu estoque no
padrão IPv4 ao longo de mais um ano, por meio do Núcleo de Informação e
Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O IPv4 deve conviver com o IPv6 de 15
a 20 anos, até que um padrão substitua o outro, afirmou o NIC.br.
Na prática, pouco mudará para os usuários domésticos. "Tudo depende da
tecnologia utilizada pela operadora de internet e pelo usuário. Algumas
empresas podem atualizar o software do modem do usuário remotamente. Mas
o equipamento pode ser trocado se for muito antigo e não suportar o
protocolo, impedindo o acesso à internet", afirmou o coordenador do
projeto IPv6.br do Nic.br, Antonio Moreiras.
A maioria dos sistemas operacionais já dá suporte ao novo protocolo. O
Windows, por exemplo, já atende ao padrão desde sua versão de 1998.
Segundo Moreiras, não há pressa para colocar o IPv6 nesses usuários em
um primeiro momento. "O importante é que empresas de telecomunicações ou
que tenham serviços na Internet preparem suas redes."
Os servidores, em alguns casos, vão precisar ser reconfigurados e de
mudança em sua estrutura, caso sejam muito antigos, o que pode exigir
gastos com infraestrutura e treinamento das equipes dos provedores de
internet.
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