domingo, 6 de fevereiro de 2011

Redes sociais enfrentam maré de ciberceticismo

O modo frenético como as pessoas se comunicam on-line por meio do Twitter, do Facebook e de mensagens instantâneas pode ser visto como uma forma de loucura moderna, de acordo com uma importante socióloga norte-americana.
"Um comportamento que se tornou comum ainda é capaz de expressar os problemas que outrora nos levaram a vê-lo como patológico", escreveu a professora do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) Sherry Turkle em seu novo livro, "Alone Together" (Sozinhos juntos, na tradução literal), que está liderando um ataque à era da informação.
A tese de Turkle é simples: a tecnologia está ameaçando dominar nossas vidas e nos tornar menos humanos. Sob a ilusão de permitir que nos comuniquemos melhor, ela nos isola das reais interações humanas por meio de uma realidade virtual que é uma imitação medíocre do mundo real.
Mas o livro de Turkle está longe de ser o único nessa linha. A lista de ataques às mídias sociais é longa e vem de todos os cantos da academia e da cultura popular.
Em um recente best-seller norte-americano, "The Shallows" (Os Superficiais, na tradução livre), Nicholas Carr sugeriu que o uso de internet estava alterando o nosso modo de pensar a ponto de nos tornar menos capazes de absorver informações mais extensas e complexas, como as de livros e artigos de revistas. O livro baseou-se em um ensaio igualmente enfático que o pesquisador escreveu na revista "Atlantic" que trazia o título: "O Google está nos deixando estúpidos?"
Outra linha de pensamento na área de ciberceticismo encontra-se em "The Net Delusion" (A ilusão da rede), de Evgeny Morozov. Ele defende que as mídias sociais produziram uma geração de "passivistas", deixando as pessoas preguiçosas e criando nelas a ilusão de que clicar um mouse é uma forma de ativismo semelhante ao de doações em dinheiro e em tempo feitas no mundo real.
Outros livros são "The Dumbest Generation" (A geração mais idiota, na tradução literal), de Mark Bauerlein, professor da Universidade Emory --no qual defende que "o futuro intelectual dos EUA parece ofuscado"--, e "We Have Met The Enemy" (Encontramos o inimigo), de Daniel Akst, que trata dos problemas de autocontrole no mundo moderno.
O livro de Turkle, porém, é o que tem inspirado mais polêmica. É um chamamento para deixarmos o BlackBerry fora do nosso alcance e ignorarmos o Facebook e o Twitter. "Nós inventamos tecnologias inspiradoras e sofisticadas, mas permitimos que elas nos diminuíssem", diz ela em seu livro.
EM DEFESA DAS REDES
Os defensores das redes sociais, por seu lado, dizem que o e-mail, o Twitter e o Facebook têm levado a mais comunicação, não a menos --especialmente entre as pessoas que poderiam ter dificuldade para se encontrar no mundo real por causa de grandes distâncias ou diferenças sociais.
As redes sociais são uma área nova e ainda é necessário criar normas e regras de etiqueta que possam ser respeitadas por todos os usuários, segundo disse William Kist, especialista na área de educação da Universidade Kent State, em Ohio.
Ele também salientou que o "mundo real" a que muitos críticos desfavoráveis às mídias sociais se referem nunca existiu de fato. Antes de as pessoas viajarem de ônibus ou de trem com a cabeça mergulhada em um iPad ou em um smartphone, elas normalmente viajavam em silêncio. "Nós não víamos as pessoas espontaneamente conversarem com estranhos.

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