Jornais europeus e brasileiros querem evitar que a Apple crie um
monopólio para a venda de assinaturas de suas publicações a serem lidas
no tablet iPad.
Em nota, a Associação Europeia de Editoras de Jornais (Enpa, na sigla em
inglês) afirma que a venda tem de continuar a ser feita sem restrições
pelas empresas.
É uma resposta a uma carta que a Apple enviou a jornais de ao menos
cinco países europeus em que os proíbe de fornecer a seus assinantes da
versão impressa o acesso ao conteúdo no iPad.
O temor é que esse seja apenas um primeiro movimento para depois obrigar
que a venda do acesso seja feita com exclusividade pelo iTunes, loja
virtual da Apple.
É o que acontece hoje com a comercialização de aplicativos para os
produtos da Apple. Tudo é centralizado no iTunes, que fica com 30% do
valor do negócio.
Segundo a Enpa -entidade que representa 5.200 jornais em 25 países-,
isso traria prejuízos para os jornais. Primeiro porque perderiam a
possibilidade de vender pacotes que incluem versão impressa e acesso
eletrônico.
Para Silvio Genesini, coordenador do comitê de estratégias digitais da
ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretor-presidente do Grupo
Estado, as empresas brasileiras estão preparadas para um modelo em que a
assinatura pode ser vendida dentro e fora do iTunes.
No Brasil, esse é o caso da "Veja". A assinatura anual pode ser comprada
diretamente com a Editora Abril, mas o exemplar semanal é vendido na
loja da Apple.
Tanto Genesini quanto a Enpa apontam um outro problema: a perda da ligação com o leitor.
"Nós precisamos saber quem é o nosso assinante. Não podemos concordar
que a Apple fique com essa base de dados. Nosso assinante tem relação
conosco. Não podemos permitir que ele ligue para o nosso call center e
não tenhamos a informação de que ele é assinante da versão para o iPad",
diz o coordenador da ANJ.
A polêmica entre a Apple e os jornais cresceu após o lançamento do
"Daily", jornal da News Corp, de Rupert Murdoch, feito com exclusividade
para o iPad. A venda da assinatura (US$ 0,99 por semana, cerca de R$
1,60) é feita apenas pelo iTunes.
A questão atual lembra a ocorrida há oito anos, quando a Apple lançou o iTunes e passou a oferecer músicas também por US$ 0,99.
Na época, a novidade foi saudada pela indústria fonográfica, que registrava queda de vendas devido à pirataria.
Com o passar do tempo, muitas gravadoras consideram que não foi um bom
negócio deixar uma terceira empresa definir o preço de seus produtos e
fazer a intermediação entre elas e o consumidor final.
REGULAÇÃO
A Apple não se pronunciou. Caso a empresa decida pelo monopólio das vendas, a disputa deve acabar na corte da União Europeia.
O ministro da Economia da Bélgica, Vincent Van Quickenborne, pediu ao
órgão do país que regula a concorrência que verifique se não seria caso
de abuso de poder de mercado.
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