O jovem egípcio membro da diretoria local do Google --detido durante as
manifestações contra o governo do ditador Hosni Mubarak e libertado
nesta segunda-feira-- afirmou em entrevista à rede privada Dream 2 ter
passado 12 dias detido com os olhos vendados.
Na entrevista, divulgada na noite de segunda-feira, Wael Ghonim, chefe
de marketing do Google no Oriente Médio e na África, confirmou ser o
administrador da página "Todos somos Khaled Said", criada no Facebook.
O grupo, junto com o Movimento 6 de abril, participou do lançamento da
onda de protestos contra o presidente, que começaram em 25 de janeiro.
"Tive os olhos vendados durante 12 dias, eu não escutava nada, não sabia
de nada", contou, indicando ter sido preso no dia 27 de janeiro e
passado os dias seguintes em poder dos temidos serviços de segurança
egípcios.
A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI)
expressou no domingo (6) sua preocupação com a possibilidade de que
Ghoneim fosse torturado durante sua prisão.
Segundo a ONG, que citava testemunhos oculares, Wael Ghoneim foi detido
por homens à paisana, provavelmente membros dos serviços de segurança
egípcios, durante as manifestações.
RISCO DE TORTURA
Mais cedo nesta segunda-feira a AI alertara sobre o risco de tortura e
maus tratos contra o funcionário do Google detido no Egito, Wael
Ghuneim.
O diretor havia saído de Dubai ao Egito para uma viagem de negócios e
chegou a presenciar as manifestações na praça Tahrir. A família do
funcionário passou a desconfiar do seu desaparecimento depois que ele
faltou a uma reunião com o irmão. Eles tentaram contato, mas perceberam
que os telefones estavam desconectados.
"As autoridades egípcias devem informar o paradeiro de Wael Ghuneim e
devem libertá-lo ou acusá-lo de um crime reconhecido", declarou mais
cedo em comunicado o subdiretor da ONG para o Oriente Médio e norte da
África, Hadj Sahraoui.
JORNALISTAS
No último domingo, as forças de segurança detiveram mais um jornalista
da TV Al Jazeera. O norte-americano, Ayman Mohyeldin, foi levado da
praça Tahir onde os manifestantes se reúnem pelo 13º dia seguido.
A empresa já havia sido vítima de violência no país. Na sexta-feira, a
sede da TV no Cairo foi invadida e incendiada e no sábado, o diretor do
escritório e um outro repórter haviam sido detidos. A organização
Repórteres Sem Fronteiras (RSF) já conta ao menos 75 os jornalistas
atacados durante a cobertura dos protestos antigoverno, entre eles
brasileiros

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