Um cabo venezuelano de fibra óptica chegou na terça-feira a Cuba,
acelerando em 3.000 vezes a baixa velocidade de conexão da ilha e
burlando as restrições de conectividade impostas pelos Estados Unidos.
O cabo de 1.700 km de comprimento foi estendido a partir da costa
sul-americana, passando sob o mar do Caribe, por uma unidade da empresa
francesa Alcaltel-Lucent.
"Quero lhes informar que o barco chegou à praia de Siboney, na cidade de
Santiago de Cuba, no leste", disse o vice-ministro de Informática e
Comunicações da ilha, Ramón Linares, segundo a agência estatal de
notícias Prensa Latina.
O cabo aumentará dramaticamente a capacidade de transferência de dados
de Cuba, que até agora precisava usar uma conexão por satélite, mais
cara e lenta, por causa das restrições dos EUA para o acesso a cabos
submarinos.
A nova ligação, no entanto, não afetará de imediato a conectividade de Cuba, uma das mais baixas das Américas.
Segundo dados oficiais, Cuba tinha 1,6 milhão de usuários da internet em
2009, ou 14,2% da população. A maioria dos cubanos, no entanto, não tem
acesso pleno --apenas ao correio eletrônico e a uma intranet com
páginas selecionadas pelo governo.
As autoridades locais dizem não haver obstáculos políticos para abrir o
acesso à internet, mas que faltam investimentos em infraestrutura de
redes.
Cuba e Venezuela, países socialistas que têm os EUA como inimigos em
comum, veem o novo cabo como uma forma de garantir sua independência em
relação a Washington.
A conexão será oficialmente inaugurada na quarta-feira em Santiago de
Cuba, 870 quilômetros a leste de Havana, e as autoridades esperam que
esteja operacional em julho.
O projeto, de US$ 70 milhões, inclui também a conexão de Santiago de Cuba com a localidade jamaicana de Ocho Rios.
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