Aos poucos, enfim, começam a surgir concorrentes de verdade para o iPad.
No Mobile World Congress, destacam-se três tablets com Android 3.0, de
codinome Honeycomb (favo de mel), versão do sistema móvel do Google
desenvolvida para computadores com tela sensível ao toque.
O Optimus Pad, da LG, destoa um pouco por ter uma tela menor -8,9
polegadas ante 10,1 polegadas do Motorola Xoom e do Samsung Galaxy Tab
10.1- e por incluir uma câmera traseira que filma em 3D.
De frente, os aparelhos são tão parecidos que podem confundir até executivos das três empresas que os olharem de relance.
Em nenhum deles há botões físicos de navegação, que é feita por meio de
atalhos virtuais fixados na parte inferior da tela: um para voltar, um
para ir à tela inicial e outro para ver a lista de aplicativos abertos.
Os tablets contam com cinco telas virtuais personalizáveis, nas quais se
pode colocar atalhos para programas e widgets, que mostram informações
como próximos compromissos da agenda, vídeos populares no YouTube e
livros eletrônicos do Google Books.
Dessa liberdade pode resultar uma bagunça que remete às mais caóticas
áreas de trabalho do Windows -uma diferença radical em relação aos
poucos ícones distribuídos homogênea e simetricamente no iPad.
No teste dos três tablets foi possível constatar problemas que,
espera-se, estejam solucionados quando os aparelhos começarem a ser
vendidos, nos próximos meses (nenhuma das empresas anunciou os preços).
Aplicativos travam com frequência, a tela nem sempre responde aos toques
e, principalmente no Xoom, a mudança automática de orientação de
paisagem para retrato demora quase cinco segundos, ante praticamente
zero no iPad.
Uma vantagem brutal do trio de tablets em relação ao iPad é o aplicativo
de mapas. Baseado no Google Maps, assim como a versão para o tablet da
Apple, o programa para Android 3.0 é privilegiado com as atualizações
constantes do Google, por meio das quais acumulou recursos como prédios
tridimensionais e navegação GPS gratuita.
Os tablets com Android também ganham pontos por seu sistema de comando
por voz, que em várias ocasiões é mais prático do que a digitação no
teclado virtual.
Como toda plataforma móvel nascente, o Android 3.0 sofre com a falta de
aplicativos de terceiros, que já se contam às dezenas de milhares no
iPad.
Por isso, o Google anunciou o SDK (kit de desenvolvimento de software)
do Android 3.0 com antecedência, em janeiro, para que os desenvolvedores
possam começar a trabalhar em aplicativos para o novo sistema -é deles
que depende o eventual sucesso do exército anti-iPad.
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