quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bombas em aviões podem ser acionadas por Wi-Fi em voos, dizem especialistas

A tão esperada capacidade de usar um celular ou conexão Wi-Fi em um avião pode se tornar uma refém da mais recente ameaça da segurança em aviação.
Em 29 de outubro, revelou-se que partes contendo um explosivo em pó embalado em cartuchos de impressora a laser tinham sido detectados em aeronaves oriundas do Iêmen para o Reino Unido e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Um telefone celular conectado a um circuito de detonação poderia ter permitido que um terrorista provocasse uma explosão por meio de chamadas ou mensagens SMS para o telefone.

Isso ocorre enquanto a indústria da aviação está se preparando para oferecer banda larga em voos, que atendam tanto aparelhos celulares quanto conexões Wi-Fi, para passageiros.
Estes sistemas significariam que passageiros não precisariam mais usar seus celulares ilicitamente em baixa altitude, quando estão próximos do aeroporto --atividade potencialmente arriscada que pode interferir na mecânica de pouso do avião.
MERCADO EM EXPANSÃO
Comunicações em voo são um mercado de rápido crescimento neste momento. A pesquisadora de mercado InStat, de Scottsdale, Arizona, diz que 2.000 passageiros de voos são esperados para ter esse tipo de tecnologia de comunicação banda larga até o final deste ano, comparado com apenas "algumas dezenas" em 2008.
As descobertas da semana passada põem em dúvida o conhecimento de comunicações em voo, diz Roland Alford, diretor administrativo da Alford Technologies, consultora em explosivos em Chippenham Wltshire (Inglaterra). Ele disse esperar que a tecnologia seja analisada em revisões de segurança empreendidas pelo governo inglês e pelo Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos, logo após a descoberta das bombas nas impressoras.
O Departamento de Transportes britânico não confirmou se o problema estaria, de fato, em sua agenda.
CELULAR: GATILHO?
Ainda não se sabe se os celulares nas bombas eram destinados para acioná-las remotamente. Eles podem ter sido destinados somente como temporizadores, como nos atentados do metrô de Madri, em 2004. Mas dispositivos futuros poderiam tirar vantagens da comunicação sem fio.
Wi-Fi em voos "dá muitas opções de contato com um dispositivo num avião a um fabricante de bombas", diz Alford. Mesmo se conexões ordinárias com celulares estão bloqueadas, isso permitiria a um serviço de voz sobre internet encontrar um aparelho.
"Se fosse possível transmitir diretamente a partir do solo para um avião sobre o mar, que seria assustador", diz o colega de Alford, fundador da empresa, Sidney Alford. "Ou, se um passageiro pudesse usar um celular para transmitir para o bagageiro do avião, ele poderia se tornar um terrorista suicida muito eficaz."
"Há muitas maneiras de coordenar um ataque sem o uso de um celular", diz Aurélie Branchereau-Giles, da OnAir, companhia radicada em Gêneva, na Suíça, que está prestando serviço de sistemas de Wi-Fi e celulares em voo para a Airbus.
"A posição de nossos especialistas em segurança é a de que o uso de telefones celulares em aviões não constitui qualquer ameaça adicional à segurança."

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