Os jovens nigerianos familiarizados com a tecnologia estão se preparando
para usar BlackBerries, celulares e serviços de redes sociais como o
Twitter e Facebook a fim de fiscalizar as eleições de janeiro, em um
esforço para reprimir a fraude eleitoral.
Eleições anteriores no mais populoso dos países africanos foram tão
prejudicadas por fraudes e intimidação de eleitores que observadores
eleitorais as classificaram como não confiáveis. Desta vez, a nova
tecnologia pode tornar certas formas de trapaça mais difíceis.
O presidente Goodluck Jonathan, que ainda não declarou se disputará a
reeleição, afirmou que organizar eleições confiáveis é uma prioridade,
mesmo que reste pouco tempo para uma reforma muito necessária no sistema
de registro eleitoral.
Um grupo de criadores de software chamado Wangonet --ou rede de ONGs da
África Ocidental-- está trabalhando em um aplicativo que registra
informações enviadas por SMS, e-mail ou internet, via celulares, para
criar um mapa das áreas problemáticas.
O projeto nigeriano foi inspirado pelo Ushahidi, um site desenvolvido
inicialmente no Quênia para mapear a violência pós-eleitoral em 2008, e
mais tarde utilizado em outros países, para tarefas como ajudar as
equipes de emergência depois do terremoto na China e das inundações no
Paquistão.
A plataforma opera por meio de "crowdsourcing" --ou seja, agrega e
organiza dados enviados por usuários públicos.
"Acreditamos que, ao armarmos uma nova geração de nigerianos com
ferramentas de mídia social e redes, os 105 milhões de nigerianos com
idade de menos de 35 anos podem ser motivados a se envolver diretamente e
a questionar o sistema", disse Tunji Lardner, fundador da Wangonet.
A manipulação de eleições é problema tão comum na Nigéria que muitos
eleitores mais jovens, desiludidos, nem se dão ao trabalho de ir às
urnas.
O forte domínio do Partido Democrático Popular (PDP), governista, que
controla a maioria dos 36 governos estaduais, detém forte maioria
legislativa e cujos candidatos venceram todas as eleições presidenciais
desde o final do domínio militar, uma década atrás, significa que muita
gente acredita que seu voto pouco influenciaria o resultado.
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