Toda vez que MysteryGuitarMan põe um vídeo no YouTube, mais de 1 milhão
de pessoas são avisadas automaticamente. Mas não há mistério: o
"guitarrista misterioso" é o brasileiro Joe Penna, 23, desde os 12 nos
EUA.
O ex-estudante de medicina é o diretor, editor, ator e músico --toca
violão, gaita, guitarra e, claro, a vuvuzela-- dos vídeos que compõem o
11º canal mais assinado por usuários do YouTube em todo o mundo.
Os filmes ultracoloridos, com edição ágil, música, caretas e efeitos
exclusivos do YouTube já foram reproduzidos 92,7 milhões de vezes.
A maior parte da audiência é norte-americana; os brasileiros estão em
segundo, "mas gente do mundo inteiro vê", faz questão de dizer. Narra,
canta (e faz barulhos) quase sempre em inglês, mas coloca legendas em
português.
Ele se cadastrou no site em 2006. "No início, eu colocava só vídeos
bobos", contou à Folha por telefone, de Los Angeles, onde mora.
"Comecei porque eu gostava de fazer filmes. Era assistente de direção em
comerciais locais em Boston, fui aprendendo edição", diz.
Passou a crise
Mas veio a recessão econômica de 2008 e, recorda-se, "acabaram as
oportunidades" nesse mercado.
Penna queria continuar com os filmes. "Mudei para Los Angeles e fui
fazer YouTube em tempo integral, para ganhar dinheiro."
Ele não diz quanto recebe do Google, proprietário do YouTube, pelos
comerciais exibidos com seus filmes. Mas afirma que, depois de "quase
quatro anos sem fazer nem sequer um centavo", hoje recebe o suficiente
para pagar "o carro, a casa, tudo o que eu preciso".
O sucesso que o faz ser reconhecido "com frequência, especialmente por
crianças" nas ruas de Los Angeles ajudou o diretor a expandir as fontes
de lucro.
Vende camisetas com desenhos que os próprios fãs mandam para ele (envia
uma de graça para o desenhista do trabalho eleito), adesivos e até
aplicativos para o iPhone e para o Facebook com a grife
MysteryGuitarMan.
Ainda assim, faz questão de divulgar seu trabalho no Twitter, no
Facebook, no Orkut, para os amigos.
Mas o segredo da popularidade, diz, é a regularidade e a disciplina que
dedica à sua produção.
Coloca dois clipes por semana no ar e demora até 16 horas para editar
filmetes que, não raro, duram um ou dois minutos.

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